quinta-feira, 15 de outubro de 2009

O vocacionado e a igreja local-parte 2.doc




● Histórico / Currículo do vocacionado: Qual o chamado específico; onde atuar; qual vai ser o custo desse sustento e por quanto tempo? Quantos anos esse vocacionado tem de convertido; qual tem sido seu trabalho prático na igreja local, e caráter cristão? Qual seu nível de conhecimento teológico-doutrinário? Como está sua saúde física; psicológica; emocional e espiritual? Qual preparo profissional e educacional que este possui?

● A relevância do preparo do vocacionado:

Preparo secular.

Preparo teológico e missiológico.

Preparo psicológico e espiritual

1) Preparo secular

É importante que o obreiro tenha uma boa formação acadêmica, e diferentes habilidades, a fim de poder cooperar de forma bi-ocupacional no campo. Além disso, muitas vezes ter um trabalho profissional garante o visto de permanência no país, como justificativa por sua permanência a longo prazo.
Em alguns campos a carência é grande, necessitando de mais do que evangelização, de profissionais para socorrer as necessidades locais. Então, um obreiro mais qualificado profissionalmente torna-se útil nas mais diferentes demandas.
Ex. Missionário Gary morava na Jordânia e construía banheiros como arquiteto. A Maria era missionária, mas trabalhava como enfermeira entre os beduinos.

OBS:
a) Mesmo que os missionários trabalhem como bi-vocacionais, o alvo do campo é sempre a evangelização. Assim o trabalho “secular”, só servirá como um meio para o desenvolvimento do propósito final, que é a pregação do Evangelho!
b) Muitas vezes o missionário vai ao campo como lingüista, só para fazer a parte da equipe de tradutores da Bíblia. Deve-se levar em consideração esta necessidade. Provavelmente sua dedicação será exclusiva será neste ministério e não no discipulado.
Ex: Missionários da Wycliffe

2) Preparo Teológico e missiológico

É de fundamental importância o conhecimento teológico. A falta de preparo muitas vezes causa estragos irreversíveis. Uma pessoa que não tem preparo teológico e missiológico, não saberá plantar igrejas, ou discipular; não saberá contextualizar sua mensagem; nem mesmo argumentar contras heresias. Sua atuação será limitada e de risco para o campo.
Ex: Em Londres os muçulmanos cursam teologia para combater os cristãos.

3) Preparo psicológico e espiritual

O missionário deve estar ciente dos desafios que irá enfrentar ao longo de sua jornada. As pressões psicológicas e emocionais irão requerer de si uma estrutura saudável e madura.
É essencial que esse vocacionado esteja pronto para solidão e renuncia, principalmente os missionários solteiros. Em muitos campos, a perseguição chega ao martírio e a morte e esse é um risco há ser considerado.
Em casos onde há um maior risco de morte, a família do missionário deve estar da mesma forma consciente.
Será com uma vida de consagração e oração que este irmão (ã), irá vencer as lutas espirituais e tentações. Um missionário que não tem vida devocional será derrotado rapidamente. Trabalho integral não significa vida espiritual sólida, mas, muitas vezes mascara um mero ativismo sem propósito, e isso pode ser muito perigoso.


● Integração entre agência missionária e igreja local

A função da agência missionária é de funcionar como um canal para o envio do missionário, portanto, ela também deve ser avaliada. Alguns itens são essenciais para este credenciamento, tais como: credibilidade, experiência, alvos e estratégias, política financeira, planejamento de trabalho, termos de responsabilidade, etc.
O Conselho Missionário deve ser unânime na escolha da agência enviadora. Contudo, isto não significa que uma vez no campo, a igreja não tenha mais responsabilidades com seu missionário, ao contrário, a igreja tem o direito de saber sobre todos os procedimentos estabelecidos no campo, assim como tem por obrigação a manutenção do obreiro.
É muito importante, que a igreja receba constantemente notícias do ministério desempenhado por seu obreiro e das necessidades advindas deste trabalho, para promoção dos devidos recursos. Da mesma forma, o missionário deverá ser fiel no envio de seus relatórios e cartas, com a finalidade de manter a agência e a igreja informadas de seu trabalho.


● Avaliação complementar

O famoso teólogo John Stott costuma dizer que se tivesse apenas 3 anos de vida restante, passaria 2 anos estudando e usaria o último ano para pregar. Essa é uma lição que devemos pôr em prática na obra missionária.
Muitos vocacionados são levados por um censo de urgência sem propósito. Suas justificativas muitas vezes vêm acompanhadas de frases como: “As almas estão morrendo enquanto vocês exigem que eu estude!” Contudo, quando estamos dormindo almas estão perecendo, quando estamos tomando banho elas também estão “morrendo”, enfim, temos que ter consciência que o Salvador é Jesus e nós seus instrumentos. E como tais, precisamos estar aptos a fazer o melhor. Atualmente, dispomos de recursos que os missionários do passado não tiveram acesso, isso facilita nossa oportunidade de preparo de forma substancial. Portanto, é fundamental que haja um tempo entre a chamada recebida pelo missionário e seu envio ao campo.

● A importância do aval da igreja

No que tange a ida do missionário ao campo, é insanidade sair sem aprovação e apoio da igreja. Ela tem que ser envolvida nesse chamado e no reconhecimento do mesmo, isto é bíblico! Claro que muitas igrejas têm falhado neste compromisso, mas é menos arriscado do que simplesmente sair sem esperar o tempo certo.
A igreja deve ser comprometida em orar e contribuir com seriedade e regularidade. Por isso, tudo deve ser bem planejado antes. A Igreja é a principal responsável pelo membro a ser enviado para o Campo.


● Principais agências missionárias no Brasil

Apesar de cada agência objetivar um trabalho específico, atualmente todas se unem em sistemas de parceria. Parceria é o convênio mútuo entre agências, ou agências e igrejas, para dar suporte logístico aos missionários no campo.É fundamental neste envolvimento, conhecer a instituição enviadora em sua filosofia, alvos estratégicos, administração, captação de recursos e instrumentalização dos mesmos.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Um novo formato

Pensando em abeçoar vidas o blá blá blá Missionário terá novas postagens. Pois, tudo que queremos é despertar vidas para a obra missionária.
Rita

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Cuidando do missionário

Antonia Leonora van der Meer

“O missionário deve ser recebido com amor. Geralmente chega do campo cansado e com muitas dores a ser tratadas. Não precisa de um acolhimento de herói, mas de um ser humano querido. Que as lideranças da igreja e da missão deem assistência pastoral ao missionário, ouvindo-o, procurando saber como ele está como pessoa, quais são suas lutas e dores, em que área ele precisa de ajuda.”[Depoimento de um missionário brasileiro]


Fui despertada para a necessidade de prestar cuidado ao missionário durante os dez anos de serviço como missionária num contexto de guerra e pobreza, sob um governo marxista. Passei por vários tipos de sofrimento naquele local: malária, violência, restrições religiosas e o confronto diário com a miséria do povo. Pesaram muito a falta de um preparo específico e de um apoio adequado para perseverar. Não devemos impor às novas gerações de missionários, em contextos também difíceis, a mesma falta de apoio. Alguns obtêm crescimento nessas situações, mas outros voltam feridos.
Voltei ao Brasil com a visão de formar novos missionários e de ajudar no cuidado pastoral. Encontrei oportunidade para esse serviço no Centro Evangélico de Missões. Estamos organizando o 14º Encontro de Restauração para Missionários, que acontecerá de 27 de julho a 1º de agosto, paralelo ao 2º Encontro para Filhos de Missionários. Esses encontros reanimam e encorajam missionários de muitos contextos, igrejas e agências. Porém, a necessidade é mais ampla.Viver num contexto transcultural implica grandes pressões emocionais e espirituais. No princípio, a pessoa se sente desorientada e muitas vezes solitária. Quando volta à terra natal, se sente novamente um estrangeiro. Muitos atravessam um período de depressão nessa fase; precisam de cuidado pastoral e psicológico, e de momentos de restauração.
A 1ª Consulta sobre o Cuidado do Missionário, organizada pela Associação de Missões Transculturais Brasileiras (AMTB) e pela Associação de Professores de Missões do Brasil (APMB) foi realizada em 1999. Vários participantes ficaram inspirados e encorajados com o que ouviram e aprenderam. Foi criado o grupo de Cuidado Integral do Missionário (CIM), que procura servir missionários de qualquer campo, agência, junta ou igreja.O CIM é composto por missionários experientes, líderes de agências, pastores, treinadores e psicólogos -- pessoas que trabalham no preparo pré-campo, visitam missionários no campo, organizam encontros de restauração, praticam o “debriefing” (um ouvir focado nas experiências e lutas do missionário) e organizam consultas sobre temas do cuidado do missionário. O CIM também apoia a publicação de livros, como “O Cuidado Integral do Missionário” (Descoberta) e “Missionários Feridos -- como cuidar dos que servem” (Ultimato).• Antonia Leonora van der Meer foi missionária da IFES em Angola por dez anos e hoje é diretora da Escola de Missões do Centro Evangélico de Missões, em Viçosa, MG. É autora de Eu, Um Missionário? e Missionários Feridos.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

O lugar do sofrimento na vida do missionário

Antonia Leonora van der Meer
Ser missionário é um privilégio, não um fardo intolerável carregado por uns “grandes servos de Deus”. Deus escolhe os pequenos, os fracos, as coisas loucas deste mundo para que a glória seja só dele (1 Co 1.26-29). Mas esse privilégio está ligado ao caminho da renúncia e de levar cada dia a sua cruz, seguindo a Jesus. O sofrimento já faz parte da vida de muitos missionários e, quanto mais penetrarmos nas regiões ainda não alcançadas, mais teremos contato com realidades de grande carência social e espiritual, de conflito com poderes das trevas, de violência, guerra e perseguição. Isso leva ao sofrimento do missionário e de sua família. Porém, muito mais do que isso, o confronto com o sofrimento do povo certamente vai perturbar profundamente o coração do missionário.
Como podemos enviar pessoas para lugares onde o sofrimento é uma realidade diária e muito forte? Alguns acham que isso não pode ser a vontade de Deus. Mas como foi que Deus enviou seu Filho? Com que garantia e segurança? Lembremo-nos de que Jesus disse: “Assim como o Pai me enviou, eu também vos envio” (Jo 20.21; 15.20). Isso significa correr os mesmos riscos, vencer a mesma resistência, viver com a mesma expectativa de vitória, por meio do caminho da cruz.
Como podemos descrever o sofrimento na vida do missionário? Nas horas de guerra violenta que presenciei, o que me chocou mais profundamente foi ver pessoas feridas, caídas nas ruas sem ninguém poder socorrer, e ouvir as histórias das vítimas da guerra nos hospitais. Uma mulher sem braços que perdeu a única irmã, barbaramente violentada. Crianças atingidas por balas enquanto dormiam em sua própria cama. Ver a falta de recursos e a angústia dessas pessoas era profundamente perturbador. Mas Deus precisa de um instrumento para levar sua graça, amor e esperança a essas pessoas. É o sofrimento de saber da angústia de nossa família e não poder fazer nada para tranqüilizá-la. E as coisas sempre parecem piores do que são para quem as acompanha de longe. É o sofrimento de acompanhar o despertamento espiritual, a descoberta da graça de Deus por uma pessoa, que depois aparece mutilada, morta pela própria família.
Outro motivo de sofrimento é que as pessoas põem em nós uma carga de esperança de solução para seus problemas muito além das nossas possibilidades. Às vezes nos perguntamos: “O que estou fazendo aqui? Fará alguma diferença esse pouco que posso fazer?” É claro que fará diferença! Cada vida transformada, que recupera a esperança, a alegria e a razão de viver, a consciência de sua dignidade é uma grande vitória. Mas às vezes ficamos angustiados pelo muito que não podemos fazer e que de nós é esperado.
Há também os sofrimentos relacionados com a família que deixamos para trás. Muitos lutam e têm a obrigação de deixar pessoas e ministérios que amam para dar apoio aos pais idosos que precisam de sua presença. Outros sentem-se forçados a voltar prematuramente (o coração ainda quer ficar) para não comprometer a educação e o futuro dos filhos.
Além disso, há sofrimentos evitáveis, causados pela irresponsabilidade dos que enviam sem apoio verdadeiro, sem orientação e sem fidelidade no sustento financeiro. Isso gera profundas angústias e as igrejas terão de prestar contas a Deus da maneira como tratam os seus obreiros.
Qual é a nossa responsabilidade? Não podemos enviar missionários apenas invocando a bênção de Deus e depois lavar as mãos. A obra é nossa, como igreja brasileira. Precisamos estar bem perto de nossos missionários, acompanhando-os diariamente em oração, mantendo contato por e-mail, carta, telefone, de modo responsável (há lugares onde uma carta mal orientada pode causar muitos problemas). Podemos enviar uma pessoa para visitá-los, orar com eles e ouvi-los. Devemos recebê-los com muito carinho, cuidado e atenção quando vêm de férias, para que tenham um bom descanso e renovação física, emocional e espiritual, provendo suas necessidades. (Infelizmente, ainda há igrejas que cortam o sustento durante os meses em que o missionário está no Brasil, pois entendem erroneamente que ele “já não está fazendo o trabalho missionário”.)
Assim, há sofrimentos inerentes ao modelo de encarnação deixado por Cristo, para os quais o missionário deve estar preparado. Outros tipos de sofrimento podem ser minorados e é nossa responsabilidade fazê-lo, com carinho e amor pelos que estão na linha de frente.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

O que é Missões?

Ronaldo Lidório


É um movimento salvífico e kerygmático que parte do coração e da volição de Deus, revelado nas Escrituras, onde o Evangelho é prometido, no Messias, a todas as pessoas em todas as etnias espalhadas pelo mundo. Portanto é um movimento de Deus. Eu poderia dizer que tem como principais elementos:

1. O sacrifício do Cordeiro o qual “com o seu sangue comprou, para Deus, homens que procedem de toda língua, tribo, povo e nação”;

2. O ‘dunamis’ do Espírito derramado sobre a Igreja em Atos que a capacita a comunicar esta Palavra revelada;

3. O amor do Pai que a cada dia tenta nos comunicar que “uma alma vale mais que o mundo inteiro”;

4. E a ação da Igreja como comunidade propagadora desta mensagem que salva a todo aquele que crê.

O cerne da obra missionária, portanto, não é a visão do mundo mas sim a submissão a Deus.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Missionário: um maluco, mártir, mendigo ou o quê? Por Antonia Leonora van der Meer (Tonica)*

A igreja evangélica brasileira em poucas décadas transformou-se de campo missionário em "celeiro de missões". Como a igreja está assumindo e tratando seus missionários?

MALUCO?
Fui convidada para falar sobre missões numa igreja bem viva e dinâmica. A família que me hospedou não se cansava de ouvir minhas experiências missionárias. Até que, de repente, a filha que estava para terminar o curso de medicina começou a mostrar que estava seriamente considerando a possibilidade de servir na obra missionária.
O ambiente mudou totalmente; Isso seria uma loucura! Muitos cristãos ainda consideram o missionário basicamente um maluco. Como é que uma pessoa de boa formação ou com responsabilidades dentro da família abandona tudo e todos para embrenhar-se em alguma selva entre povos tribais ou para confrontar situações de alto risco em países resistentes, onde há falta de segurança e de confortos básicos? - Missionários solteiros, tudo bem (desde que não seja meu irmão ou minha filha), mas um casal com filhos é o cúmulo do absurdo! É claro que Deus não pediria uma coisa dessas para seus filhos!, é o pensamento de muitos.
Será que Deus não pediria? O que lhe custou o seu projeto missionário? A Bíblia afirma que se trata de uma loucura de Deus: uma loucura poderosa para salvar e transformar vidas humanas. Graças a Deus pelos que aceitam ser ´os malucos de Deus´ (1Co 1: 21-29) Mas isso significa uma atitude irresponsável da parte do missionário? Ou da Igreja? Infelizmente, muitas vezes tem sido! E aí já abandonamos a categoria da loucura segundo Deus para uma loucura humana, irresponsável. Isso acontece quando o missionário é enviado com um espírito ufanista, sem o preparo espiritual, bíblico, missiológico e pastoral adequado.
Quando ele ou sua igreja se sentem auto-suficientes, não precisam de ajuda ou orientação, nem de missionários mais experientes, nem de líderes cristãos nacionais. Assim, o missionário é enviado para ser benção, mas nem sempre será. Mas existe outra irresponsabilidade ou loucura injustificável e pecaminosa que nossas igrejas têm praticado. Enviam o missionário com a benção da igreja, que se orgulha em divulgar que sustenta ´X´ missionários.
Mas, de repente, surge um projeto de construção ou outra necessidade urgente que demanda toda a atenção. Ora, o missionário é pessoa de fé, Deus cuida dele e a igreja abandona seus missionários no campo. Será que o pastor também não é homem de fé? Por que, então, tal atitude inconseqüente? O missionário enfrenta dificuldades, às vezes problemas de saúde, falta de recursos básicos, falta de explicações e comunicação, dívidas. Como resultado, surge uma profunda crise.
Às vezes trata-se de uma pessoa que se adaptou bem ao campo, progrediu no estudo da língua nacional, relacionou-se bem com os nacionais e acaba sendo derrotada por esse abandono! Gostamos de falar em guerra espiritual, mas abandonamos nossa tropa de elite, nossos comandos no campo de batalha, sem orientação, sem recursos, às vezes feridos, sem qualquer cuidado! Nenhum exército humano faria isso. Outra manifestação dessa inconsistência acontece no momento em que o missionário põe os pés de volta no Brasil: Voltou do campo? Deixou de ser missionário. Acabou o sustento!
Um tremendo contraste com empresas e governos, que enviam funcionários para servir em outras culturas ou situações de risco, e sempre oferecem uma série de compensações. Mas, no caso dos nossos missionários, se o sustento não acaba por completo, geralmente diminui consideravelmente, afinal ´o missionário é uma pessoa simples, chamada para sofrer´... Não nego que muitos sejam chamados para sofrer. Mas esse sofrimento não deveria ser causado pela igreja que o envia e sustenta, mas pelas condições do contexto de vida do local onde trabalha.
É triste saber que missionários brasileiros voltam prematuramente do campo muito mais por causa da falta de preparo, de sustento e de apoio pastoral adequados, e por problemas de relacionamento com os que os enviam, do que por problemas de ministérios ou de relacionamento com as pessoas a quem servem, mesmo em países considerados de alto risco.

MÁRTIR?
Missionário?! Para mim é um ser muito mais santo, uma pessoa chamada para sofrer. É alguém que não se preocupa com as coisas do mundo, despojado. Um verdadeiro mártir! É assim que muitos vêem o missionário. Um ideal que pode ser admirado e colocado num pedestal, não um modelo para ser seguido. E é claro que uma pessoa que está no pedestal não precisa de minha ajuda e compreensão. Está ali para ser admirada (ou apedrejada).
Muitos missionários voltam dos campos emocionalmente exaustos, confusos, quebrantados, precisando muito de um tempo de renovação, cuidado e repouso. Mas são recebidos ou como heróis, como um programa lotado de compromissos, ou sem nenhuma atenção.
A igreja deveria ser a família onde fossem recebidos com amor, carinho, cuidado, interesse neles como pessoas e não só no trabalho que realizam. Há cristãos que, quando ouvem relatos de crises tremendas ou encontram o missionário doente, magro e exausto, aplaudem: Esse é um verdadeiro missionário! Mas, quando o mesmo missionário passa por uma fase mais tranqüila, facilmente surgem críticas e desconfianças: Ele fica viajando por aí com nosso dinheiro... Que trabalho realmente está fazendo? Parece até que está passando muito bem! O que significa mártir? Vem da palavra `ser testemunha´, `dar testemunho´. Mas aí o martírio não é privilégio só de missionários, e sim de todo cristão verdadeiro... O que vemos na igreja primitiva? Certamente houve alguns mártires que morreram pelo seu testemunho. Mas a maioria deles recebia vários tipos de apoio de igrejas e irmãos, e não buscava o sofrimento.
Este vinha sem ser convidado, muitas vezes inspirado, e era enfrentado com fé e coragem pelos discípulos de Jesus, que até se sentiam honrados por sofrerem pelo seu nome. Será que estou defendendo a volta de uma busca do martírio? Não! Mas se não estamos dispostos a encarar seriamente essa possibilidade como conseqüência de nosso ministério em situações de crise, teremos de abandonar muitos dos campos missionários mais carentes. No século 19, muitos missionários iam ao continente africano sabendo que havia um alto risco para suas vidas.
Oitenta por cento morriam de malária, doença que ainda tem matado alguns jovens missionários brasileiros na África. Isso é doloroso, mas não significa o fim de nossa responsabilidade. Mais difícil é a situação em muitos países, onde o fundamentalismo religioso vê o cristão como ameaça à sua cultura, família ou nação. Tem havido muitos martírios, a maioria de simples cristãos nacionais, dispostos a arriscar suas vidas no seu testemunho (martírio), muitas vezes sobrevivendo com salários ínfimos.

MENDIGO?
Ainda outros vêem o missionário como mendigo: Na minha igreja, missionário não prega! Um visitante estrangeiro, a quem um pastor foi constrangido a ceder o púlpito, transmitiu a mensagem de Deus e, para surpresa do pastor preconceituoso, não pediu nada. Não estava ali para pedir. Podemos perguntar mais uma vez: por que o pastor é digno de salário decente, plano de saúde, auxílio para transporte, etc., e o missionário é obrigado a `pedir esmolas´ para o seus sustento? Pessoalmente, dou graças a Deus porque nunca precisei pedir pelo meu sustento.
Os próprios líderes da Missão escreveram algumas cartas e igrejas e irmãos se manifestaram com boa disposição para ajudar no meu sustento, muitas vezes fontes inesperadas e fiéis. Nunca faltou nada. Mas o missionário que é convidado para se apresentar com carta de sua agência missionária com vistas a levantar sustento para o seu ministério não deveria se sentir e muito menos ser tratado como mendigo. Ele não é um peregrino solitário, mas um enviado, um embaixador, em primeiro lugar de Jesus Cristo, mas também da igreja.
Missões é sempre um ministério participativo, nunca uma tarefa isolada de um excêntrico. Conheci uma missionária que, depois de vários anos de ministério frutífero no exterior, passou um tempo no Brasil para mais treinamento. Ela sofria com dor de dente, mas não tinha coragem de compartilhar essa necessidade com sua igreja, com medo de ouvir: “Lá vem nossa missionária pedir de novo!” A igreja deveria providenciar este e outros cuidados naturalmente, livrando seus missionários de tal constrangimento.
Por outro lado, a igreja não deve ser ingênua, como muitas vezes tem se mostrado. Há missionários com boa lábia, que despertam as emoções e levam as pessoas a contribuir. Estes, nem sempre têm um bom testemunho no campo. Há outros que são fiéis e respeitados no seu ministério: são mais humildes na apresentação e, por isso, são esquecidos. De qualquer forma, parece ser algo extraordinário, não normal, contribuir com o sustento missionário. A igreja deve saber também que é muito melhor sustentar alguns, com um compromisso integral de intercessão e cuidado pastoral, que dar esmolas a muitos. Uma igreja com coração missionário recebe bem seu missionário que vem de férias e o ajuda a conseguir moradia, cuidados de saúde, apoio pastoral, um lugar para descansar. Muitas igrejas ainda não têm essa visão. Assim, muitos missionários voltam ainda mais arrebentados para o campo.
Uma vez fui convidada insistentemente (quase forçada) para ir numa grande reunião de senhoras de muitas congregações diferentes. Estava com pouco tempo, mas cedi ao convite. Quando chegou o momento para o testemunho missionário, a dirigente falou: Tem uma pessoa aqui que veio nos pedir uma coisa. Vamos lhe dar dois minutos? Sentindo-me humilhada, consertei: Não vim pedir nada. Fui convidada para dar um testemunho. Se me ouvirem pelo menos cinco minutos, disponho-me a falar.
Soube que, numa grande conferência cristã na Inglaterra, alguém fez um apelo para que os participantes guardassem os saquinhos de chá usados para doar aos missionários. No dia seguinte, por toda parte, viam-se saquinhos secando ao sol. Por que não pensaram em usar duas vezes o mesmo saquinho de chá e enviar saquinhos novos para os missionários? Em várias igrejas, tenho pedido roupas e calçados usados e literatura evangélica para ajudar os irmãos angolanos.
Muitas estão dispostas a dar, mas não a selecionar, empacotar e, muito menos, ajudar nos custos de transporte. É sempre uma feliz surpresa quando uma igreja ou pessoa prontificam-se não apenas a doar, mas também a enviar as doações.

OU O QUÊ?
Afinal, quem é o missionário? É um ser humano, pecador, que comete erros, mas que foi salvo pela graça. É um ser humano vulnerável, que vive pressões muito maiores que as de cristãos que ficam em casa, e geralmente, têm muito menos estruturas de apoio. É um ser humano seriamente comprometido com o reino de Deus, disposto a abrir mão de muitos confortos, segurança e relacionamentos para obedecer ao seu chamado de amar e servir um povo diferente.
É um ser humano que precisa de pessoas que procurem compreendê-lo, interessar-se em seus problemas, dores, projetos, sonhos e frustrações. É um ser humano muitas vezes deslocado, desorientado, confuso, cansado, precisando de repouso, restauração de forças e amizade sincera. O que vamos fazer com ele?

* Antonia Leonora van der Meer (Tonica) foi missionária durante dez anos em Angola e agora trabalha na formação e no cuidado pastoral de missionários, no Centro Evangélico de Missões (CEM), em Viçosa, MG.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Não envie missionário



Josileia Ferreira Neves

Não envie missionário se fores esquecê-lo
Não envie missionário se não queres mantê-lo
Não envie missionário se não queres ajudá-lo
Não envie missionário se queres só retorno financeiro
Não envie missionário só com palavras sem ação de fato
Não envie missionário para cobrar resultados rápidos
Não envie missionário se julgar que um missionário é um super homem
Não envie missionário só para fazer nome
Não envie missionário se vai deixar falta-lhe o pão
Não envie missionário se vai faltar-lhe comunicação
Não envie missionário se teu coração não for com ele
Não envie missionário se não é capaz de amá-lo
Somente envie missionário se há em tua vida e coração amor e compromisso com missões!

Fonte: www.semipa.org.br

sexta-feira, 10 de julho de 2009

"Por quê alguem deveria ouvir o Evangelho mais de duas vezes quando há pessoas que nunca ouviram?" (Oswald Smith)

terça-feira, 10 de março de 2009

pensamento

"Deus tem tesouros preciosos para revelar àqueles que o buscam."Pr Henrique Araújo[:D]

sexta-feira, 6 de março de 2009

Blá blá blá missionário?


Ainda estou no terceiro período do seminário, mas acho que já tenho o tema da minha monografia - o relacionamento entre a igreja e o missionário. Isto porque se tem um assunto que incomoda meu coração é que as igrejas fazem com os missionários no campo.

Hoje, na aula de religiões, tivemos o privilégio de ouvir o Pr. Sidney, missionário a 8 anos na Aldeia Kunãnã, no Oiapoque - AM. A aldeia tem 35 tribos, algumas com dialetos completamente diferentes dos demais e o Pr. Sidney e sua família são os únicos missionários que moram dentro da aldeia. O testemunho missionário é sempre edificante, mas também extremamente desafiador. Todo missionário entende como nenhum outro crente o que Jesus quer dizer quando diz que a "a seara é grande, mas poucos são os ceifeiros" (Mt 9.37). 

O testemunho do Pr Sidney me impactou muito. Ele falou sobre as dificuldades de adaptação e de convivência num ambiente tão diferente, mas também falou dos frutos do trabalho e de como tudo vale a pena quando o nosso coração está no lugar certo. 

Tudo isso foi muito bom... mas o que mais me chamou a atenção foi quando ele começou a falar a respeito do seu sustento e das dificuldades que tem enfrentado. Pr Sidney é o único missionário que mora na aldeia, onde tem mais de 5000 índios e 35 tribos, e está pensando em começar a trabalhar na cidade -  que fica a 24 horas de canoa da aldeia - porque as igrejas não tem mantido seu ministério. Nesse caso, ele só poderia ir para a aldeia de 15 em 15 dias e ficar lá durante um fim de semana. Já pensou em todo o trabalho que seria atrasado, ou mesmo não poderia ser feito naquela região? Já pensou nas consequencias espirituais, nas vidas que seriam perdidas? Se a seara é grande e os trabalhadores já são poucos, imagina se os poucos trabalhadores não puderem trabalhar porque a igreja não os sustentam? O meu coração se entristeceu com a idéia...

Pr Sidney está no Rio a menos de uma semana. Foi visitar duas igrejas. Uma adiou o seu testemunho mesmo ele já estando lá. Na segunda, ele deu testemunho, falou a igreja, ao fim da mensagem o pastor da igreja chama os missionarios para orar e faz um "belo" discurso a respeito dos "missionários vagabundos" que estão no campo sem fazer nada. Eu imagino o coração do Pr. Sidney sendo esmigalhado ao ouvir isso... E mais, eu imagino o coração de Deus ao ver um servo Seu dizer uma asneira desse porte!

Durante o seu testemunho, o Pr Sidney falou das tantas vezes que a FUNAI, os antropólogos, as ONGs e outros grupos o quiseram tirar de lá e acabar com o seu ministério e foram frustrados. Glórias a Deus por isso! Mas quem está tirando o Pr sidney do campo agora é a própria igreja, deixando de suprir um membro do seu corpo. É a igreja que está conseguindo aquilo que a FUNAI, os antropólogos e as ONGs queriam e Deus não permitiu... será que estamos mesmo sendo instrumentos de Deus? ...  Forte?! Essa pergunta está ecoando no meu coração até agora!

Ai você me pergunta, mas e o cuidado de Deus? Sabe, existem exceções, Deus alimenta povo com maná e faz multiplicação de pães e peixes. Mas em via de regra Ele deu a igreja o privilégio de fazer a sua obra. E Ele usa a igreja para sustentar seus servos. Isso éo conceito de corpo. Ou você tem algum orgão seu que é alimentado pelo coração do seu vizinho? Nós vemos o carinho e cuidado de Deus quando a Sua igreja ama e se preocupa com os membros e os obreiros. E não estou falando de uma igreja específica não, estou falando do corpo de Cristo. Essas pessoas são os pés da igreja, estão nos levando aonde Deus mandou que fossemos - até os confins da terra - e nós os deixamos desamparados... 

"Porque todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo.Como, pois, invocarão aquele em quem não creram? e como crerão naquele de quem não ouviram? e como ouvirão, se não há quem pregue? E como pregarão, se não forem enviados? como está escrito: Quão formosos os pés dos que anunciam o evangelho de paz; dos que trazem alegres novas de boas coisas." Romanos 10.13-15

Você conhece esse texto, não conhece? Está escrito para o missionário ir e esperar cair o maná do céu? Não na minha bíblia! Meu amado, se a igreja não fizer a obra para qual foi designada, quem fará? Para quem estamos querendo transferir a nossa responsabilidade? COMO PREGARÃO, SE NÃO FOREM ENVIADOS? COMO? COMO? COMO? 

O grande problema que enfrentamos hoje é que se ouve nas igrejas muito blá blá blá missionário e pouco comprometimento verdadeiro com a obra... 

Deus faz milagres? faz! Talvez o maior milagre que Ele faça seja colocar nos nossos corações a noção da nossa responsabilidade, o amor pela Sua obra.
  

Quer ajudar a família missionária e ministério no Oiapoque? 
- Ore pelo Pr. Sidney, sua esposa Raquel, Sua filinha Bebel e o outro neném que estápor vir.
- Entre em contato pelo e-mail arianegbarcellos@gmail.com e eu passo os dados bancários do Pr. Sidney

Que Deus nos abençõe e tenha misericórdia de nós!